sexta-feira, novembro 25, 2011

Corrida, filosofia e alma

“…quando ia treinar passava pelas ruas a correr e ninguém podia imaginar o mundo de palavras que levava comigo. Correr é estar absolutamente sozinho. Sei desde o início: na solidão é-me impossível fugir de mim próprio. Logo após as primeiras passadas, levantam-se muros negros à minha volta. Inofensivo o mundo afasta-se. Enquanto corro, fico parado dentro de mim e espero. Fico finalmente à minha mercê. No início, tinha treze anos e corria porque encontrava o silêncio de uma paz que julgava não me pertencer. Não sabia ainda que era apenas o reflexo da minha própria paz. Depois, quando a vida se complicou, era tarde demais para conseguir parar. Correr fazia parte de mim como o meu nome…”
Palavras de José Luís Peixoto in "Cemitério de Pianos"
  (Retirado do blog português Palavras de Corredor.)

2 comentários:

Eduardo Schloesser disse...

Bonitas palavras, belo post, foto legal.
Quando adolescente, até uns 25 anos, por aí, a todos os lugares onde ia, era correndo. Vivia suado. Certa vez cheguei a correr do Plano Piloto até a Granja do Torto, e olha que havia uma bela subida no trajeto, só voltei de ônibus porque não daria tempo de ver uma garota que estava xavecando, no final da tarde. Sinto saudades deste tempo pois hoje não sou capaz de correr até a padaria.
É isso amigo, saúde e um forte abraço.

Gilberto Queiroz disse...

É verdade, Eduardo. Gostei muito desse texto qdo. o vi lá no referido blog. A arte e o esporte têm muitas coisa em comum. Principalmente os esportes individuais.
ótimo final de semana,
Abração,