segunda-feira, julho 08, 2013

Sacrifícios...

O texto a seguir é de Ed Oliver, e foi publicado no grupo do Rascunho Studio no Facebook:
"Às Vezes sacrifícios são nescessários para alcançar um objetivo! Vejam este exemplo de Ivan Reis!

O primeiro trabalho regular de Ivan foi na Maurício de Sousa Produções, desenhando as histórias da turminha e demais personagens. Foi lá que ele aprendeu a trabalhar dentro de um prazo, a desenhar de forma praticamente industrial. A agir de forma profissional. Trabalhar em horário comercial. Após três anos lá dentro, ele sentiu que chegou a hora de vôos maiores. Era o momento de entrar no mercado americano.

Durante esses três anos, ele foi aperfeiçoando-se, sem compromisso. Em suas horas vagas treinava anatomia, perspectiva, luz e sombra, etc. Inclusive, chegou a rabiscar coisas no melhor estilo super-heróis no verso de originais da Turma da Mônica durante o horário de almoço. Quando sentiu que chegou a hora, fez um teste e arranjou um agente. Após pouco tempo, o agente conseguiu um teste na Dark Horse Comics. Ivan fez o teste e passou.

Qual era o trabalho? Uma edição tapa-buraco de Ghost. Adam Hughes era o artista regular e, naquele mês, não poderia desenhar e daí a editora precisava de alguém só para fazer aquela edição. Ivan conseguiu o trabalho.

Durante um mês, Ivan trabalhou em horário comercial na MSP e levava 15 minutos de sair de lá e ir para o escritório de seu agente para desenhar as páginas de Ghost. Ele parava de desenhar por volta das 3 ou 4 horas da manhã para acordar às 7 horas a tempo de tomar banho lá mesmo, comer (ou engolir) alguma coisa e encarar mais um dia de trabalho na MSP e para a Dark Horse.

Resultado: Ivan foi muito bem pago, o editor adorou o trabalho dele e ele, coitado, parecia um zumbi, com olheiras, cabelo bagunçado e barba por fazer, além do corpo bem castigado por essa rotina. Sim, ele havia feito uma mala e avisado aos pais que ficaria um mês sem aparecer em casa, explicando o porquê.

Uma semana depois, seguiu-se o seguinte diálogo:

Agente: “Ivan, o editor na Dark Horse não conta mais com o Adam Hughes, o cara tá com uns problemas pessoais e não pode fazer nada pelos próximos três meses. Ele quer você nessas próximas três edições. Topa?”

Ivan: “Cara, se eu encarar por três meses a rotina que tive esse mês, vou parar num caixão. Não tenho como agüentar trabalhar na MSP e pro mercado americano durante três meses. Você tem como me garantir trabalho depois desses três meses?”

Agente: “Não. Você sabe que não. Você é novato, ninguém te conhece, regularidade vem com o tempo”.

Ivan: “Me dá um tempo pra pensar. Te respondo hoje mesmo”.

Tempo depois, Ivan chegou em seu agente e disse: “Pedi demissão da MSP, resolvi encarar”.

Ivan então fez as três melhores edições que pôde. Resultado: o editor tornou Ivan o desenhista oficial de Ghost, conseguindo fixar-se na vaga. Apesar de não ser um Adam Hughes, Ivan era mais barato e mais “manipulável” (não no sentido ruim da palavra) por ser um novato. E era bom, ô se era. Não era o que é hoje, claro, mas era muito bom pra um novato. Após acabar seu período em Ghost, ele foi remanejado para outra revista. E depois para outra revista. E mais outra. E depois foi para outra editora. Depois, para outra. E em um determinado momento, percebeu que nunca ficou sem trabalho.

Aquele mês “zumbístico” e pedir as contas da MSP valeu muito à pena como todo mundo bem sabe. O que isso ensina?

Sacrifício. Se você quer entrar no meio, sacrifícios precisam ser feitos. Só você sabe o que pode sacrificar da sua vida para atingir seus objetivos/sonhos. Se o seu objetivo/sonho não chega, significa que você não está sacrificando o bastante. Se não está sacrificando o bastante, então no íntimo, talvez não queria tanto aquilo que acha que quer."

2 comentários:

Eduardo Schloesser disse...

Interessante o texto. Inspirador para os que estão começando. Sem querer ser chato, mas acho que não basta só o talento e o sacrifício. O Ivan era solteiro na época, né? Também tinha um agente. Bem, isso dá uma ideia de onde eu quero chegar.
Abração e boa semana, meu caro.

Gilberto Queiroz disse...

Você vai chegar, Eduardo. Tenho certeza. E verdade, às vezes a sorte ajuda um pouquinho também.
Acho que o tal agente era a Artecomics no início (Atualmente agenciando principalmente para a DC). Hoje em dia há outros, como o Rascunho Studio, por exemplo, e a Impacto Quadrinhos...
Coloquei o texto como incentivo aos que estão começando (Eu sou sempre o prineiro leitor, kkk), mas sabia que vc iria gostar.
Grande abraço,