sexta-feira, maio 22, 2015

Quadrinhos, duro ofício


Recentemente coloquei uma foto da minha mesa no Facebook, em que apareciam várias páginas de uma hq curta que estou fazendo. O título definia fazer HQ = céu e inferno.  Recebi vários comentários, de amigos e vários mestres da HQ nacional. A constatação maior é que somos todos apaixonados pela 9ª Arte, os quadrinhos. Isso extrapola o simples ato da leitura. Não contentes apenas com isso, muitos de nós, desenhistas e roteiristas (ou ao menos aspirantes) ousamos mais. Contra a lógica do fato do precário mercado ou mesmo a inexistência dele, avançamos desenhando, criando, tentando tornar realidade nossos quadrinhos, nossa revistinha, nossa Graphic Novel, nosso álbum de HQ, enfim...
     Talvez seja o ego, ou nossa ingenuidade latente que nos leve a isso. Talvez o desafio. Ou apenas o querer expressar-se. Não sei...
     Segundo me disse o Seabra, grande desenhista de hqs, pesquisa da Nasa apontava que a profissão "Quadrinista" é de fato uma das profissões mais difíceis do mundo. E acho que é mesmo.

   Primeiro de tudo é uma profissão que soma várias outras. Você precisa dominar o desenho, a escrita. E dentro desses dois domínios, têm que dominar vários e vastos aspectos do desenho: anatomia humana e animal, luz e sombra, perspectiva, expressões, aspectos de tecnologia, etc... Muita coisa! e com a escrita, então!...

    Esses primeiros 2 painéis fiz para uma exposição sobre quadrinhos montada na Biblioteca Mun. de Perus e Céu Pera Marmelo/Jaraguá. O 3° mostra um ciclo de criação de HQ, gráfico que peguei na internet. O 4° mostra os vários tipos de lay-outs usados pelo rei Jack Kirby em suas páginas.  
Muito embora dê todo esse trabalho, fazer HQ é uma coisa que apaixona. Logicamente pode-se fazê-lo apenas pelo prazer, como um hobby. Viver desse hobby é mais difícil. Mas algumas pessoas no Brasil (poucas) vivem. Acho que há graus de vivência do sonho. Quem desenha, quer viver de desenho, têm de primeiro se tornar profissional. Tudo que for possível na área do desenho. Respirar desenho, Arte, ver com olhos curiosos a tudo. E acreditar. Depois de várias etapas talvez se chegue aos quadrinhos mais forte e aí, muita persistência e trabalho. Eu ainda tenho plano B, apesar de trabalhar por conta e meio que próximo ao desenho. A área gráfica ajuda a pagar as contas, mas por outro lado, retira energia e tempo da que deveria ser a principal. O desenho para mim ainda é uma área a ser conquistada, mas já é uma realidade em parte. Agora, os quadrinhos, esses são ainda uma leve poeira no horizonte, que aos poucos vai se avolumando e se fazendo presente na minha rotina. De qualquer forma, já agradeço todos os dias a oportunidade...
   Obrigado a todos pelas visitas e comentários.

 

4 comentários:

Eduardo Schloesser disse...

Parabéns pelo entusiasmo, Gilberto! Isso aí, produzir sempre, por mais espinhoso que isso seja. Tenho mais umas duas obrigações a cumprir com os quadrinhos. Compromissos assumidos com parceiros de jornada. Depois abandono o barco, não sei bem o que vou fazer, tenho um álbum pronto mas não sei o que será dele. Resisto muito ao financiamento coletivo, não sei se cumpriria a meta e também não tenho tempo para administrar a campanha. O certo é que sigo fazendo minhas hqs, mas sem o pique de ter que publicar ou provar algo.

Vejo muitos profissionais dando dicas, o que é uma coisa legal, mas penso que muitas vezes devemos experimentar, seguir os instintos. Hq pra mim, como outras artes, é isso, auto expressão. Quadrinhos encomendados é outra coisa.

Grande abraço e não pare nunca.

Gilberto Queiroz disse...

Obrigado, Eduardo! Tentei passar um pouco do meu momento e como vejo a situação Quadrinhos. Não fui conclusivo, mas é como você diz; quadrinhos são auto expressão. Mas seria bom termos um enorme mercado de quadrinhos comerciais...
Grande abraço e ótima semana...

Celso Mathias disse...

Eu recebi o livro "Zodiako" do Jayme Cortez e ele mostra um pouco o processo de trabalho do quadrinista. Realmente é um absurdo de trabalhoso mas como você mesmo citou... É o céu e o Inferno. Já fiz quadrinhos e sei o que é. Já trabalhei 1 ano e meio no estúdio do Lobo e via ele quebrando a cabeça pra estruturar uma página. Mas quadrinhos é como chiclete... Gruda!!!
E como disse muito bem o Eduardo "Parabéns pelo entusiasmo, Gilberto! Isso aí, produzir sempre, por mais espinhoso que isso seja." e você é um exemplo de perseverança!
Parabéns por isso e pelo post.

Gilberto Queiroz disse...

Esse livro do Cortez deve ser muito bom. Tenho alguma coisa dele, um artista criativo e generoso.
Vou tentando por aqui, persistindo sempre.
Obrigado pelas palavras. Abração!